Maternidade compulsória #05: ‘você seria uma ótima mãe’

Por Helô Righetto

Esse é o quinto post da série sobre maternidade compulsória. Para entender melhor a série, clique aqui. Para ler todos os posts, clique aqui.

Quando uma mulher pega um bebê no colo ou brinca um pouquinho com ukma criança, ela escuta duas coisas: ‘tá treinando?’ e ‘ser mãe combina com você, olha como você seria uma ótima mãe’.

Obrigada, pessoa, já que você tem tanta certeza de que eu segurar um bebê no colo por 10 minutos faz de mim uma boa mãe, vou providenciar um filho é agora! Não sei porque as mães que eu conheço falam que a maternidade é romantizada e na verdade maternar dá bastante trabalho, já que você está aqui me falando que basta segurar a criança no colo ou brincar com ela um pouquinho pra ser uma boa mãe. Uau. Você devia ser coach!

Ironias a parte, essa fala mostra o quanto a mulher é tida como ‘ser sem poder’: parece que estamos aguardando alguém nos sinalizar uma aprovação para que a gente prossiga com as nossas vidas. Ainda pior, mostra como a sociedade acha que a única interação entre mulheres e crianças é através da maternidade. Não podemos ver uma mulher – e pode ser uma dolescente – e uma criança sem já entregarmos pra ela o título de mãe.

É surpreendente que uma mulher que não quer filhos goste de crianças, porque somos imediatamente rotuladas do oposto. ‘Você não quer filho, achei que não gostasse de crianças!’.

Por fim, eu – e tenho certeza de que muitas mulheres na mesma posição que eu – não tenho dúvida de que seria uma boa mãe. Não é por isso que fiz minha escolha. (Isso sem entrar no mérito do que caracteriza uma boa mãe né? Porque vamos combinar, pra ser bom pai a expectativa é bem mais baixa.) E ser ‘uma boa mãe’ não faz de mim um ser humano melhor. Não estamos em busca dessa aprovação, não colocamos uma petição no change.org aguardando 10 mil assinaturas de pessoas que atestam que temos as devidas características para sermos boas mães.

Somos boas cidadãs. Isso basta.

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