Maternidade compulsória #06: ‘ter filho não é pra qualquer um mesmo’

Por Helô Righetto

Esse é o sexto post da série sobre maternidade compulsória. Para entender melhor a série, clique aqui. Para ler todos os posts, clique aqui.

Há uns tempos, quando falei em uma rede social sobre a escolha de não ser mãe, recebi uma resposta mais ou menos assim: ‘Fora que tem um monte de mãe que era melhor não ter sido mãe. Deveriam fazer uma prova, porque não é pra qualquer uma mesmo’. De novo, como já falei tantas vezes durante os posts dessa série, eu entendi a boa intenção por trás dessa frase. Mas, é claro, ela é problemática.

E ela ofende não só quem decide que não quer ser mãe, mas as que são e querem ser mães também (já falei no início da série que a maternidade é algo holístico né, que falar de não ser mãe é também envolver as mães e vice versa). Afinal, quem é que decide o que é ou o que não é uma ‘boa mãe’? Existe tanto machismo e tanto apagamento na maternidade, e as mães precisam o tempo todo lidar com a culpa e com o peso da maternidade perfeita, por que ainda tem quem ache que possa definir o que é e o que não é ‘boa maternidade’?

Taí, mais uma vez, a falta de senso do coletivo. A falta de empatia. E a falta de noção da realidade fora da sua bolha. Já ouvi inclusive pessoas privilegiadas questionando o direito a maternidade de pessoas pobres.

Para uma mulher que não quer ser mãe, essa afirmação mais uma vez a reduz a um corpo e mente pensante que para nada serve. E, de novo, o fato de eu não querer ser mãe não tem a ver com a minha falta de capacidade para ser responsável por outro ser humano. Eu (de novo, já falei isso antes) me considero parte fundamental da minha comunidade e não ter filhos não me tira a responsabilidade de construir um futuro sustentável para as próximas gerações. Ou seja, essa ‘barreira’ criada por supostas características essenciais para exercer a maternidade ficam ainda mais irrelevantes.

A experiência de uma mulher como mãe não define como deve ser a experiência das outras. Aliás, a experiência de uma mulher como mãe não é a base para definir toda e qualquer experiência na vida de todas as mulheres. Sim, eu sei que maternar é desafiador, é uma missão complexa e cheia de altos e baixos, mas não coloca ninguém acima de ninguém.

One thought on “Maternidade compulsória #06: ‘ter filho não é pra qualquer um mesmo’”

  1. Estou adorando esta série de posts! Eu também não quero ser mãe, nunca quis na verdade, e me sinto feliz e realizada com essa escolha. Acho super importante esses textos para mostrar as pessoas que escolher não ter filhos não é errado, é uma escolha, um direito nosso!
    Parabéns! Beijos!!! 😊

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