3 anos

Por Helô Righetto

No dia 25 de novembro, o Dia Internacional Pela Eliminação da Violência Contra Mulheres e Meninas, nós completamos 3 anos de vida. É pura coinciência de datas, no dia que fomos ao ar pela primeira vez, 25/11/2015, não sabíamos da existência desse dia. Esse foi apenas um dos incontáveis aprendizados nesses 3 anos.

Quando a gente foi pro ar pra falar de feminismo ao vivo, a gente não sabia muito no que ia dar. Queríamos apenas conversar, a cada duas semanas, e tínhamos até medo de não termos assunto suficiente. Hoje, nos falta é tempo pra falar de tudo que queremos.

Continuamos a ser um canal no Youtube, mas não nos definimos mais assim. A Conexão Feminista é uma plataforma digital que engloba canal, podcast, redes sociais e, é claro, esse site, onde podemos também publicar nossos textos. Tentamos utilizar todas essas ferramentas de forma a engrandecermos essa comunidade que a CF criou nos últimos 3 anos. Entendemos que não podemos simplesmente falar, falar, falar e ficar por isso mesmo. Nossas falas geram conversa, interação, engajamento – conexões (desculpem-me o trocadilho). A gente não tinha ideia de que nossa Conexão Feminista faria, de fato, fazer valer seu nome.

Em números, somos ‘pequenas’. Mas nos sentimos grandiosas. Nem sempre dispostas, muitas vezes cansadas, mas constantemente reavaliando nossa maneira de fazer ativismo digital.

Esse último ano foi, particularmente, um ano de conquistas. Fechamos a meta do nosso financiamento coletivo e colocamos o Intercâmbio Feminista em prática. Fizemos uma ação especial no mês das mulheres, com um vídeo por dia no canal. Alcançamos a marca de mais de mil ‘plays’ em alguns episódios dos podcasts. Colocamos esse site no ar. Falamos com candidatas a Deputadas Estadual e Federal, dando continuidade a série ‘Conexão Política‘.

Não foi um ano fácil para o ativismo feminista, talvez só uma amostra do que vem por aí. Mas uma certeza ninguém tira da gente: continuaremos aqui.

Parabéns e vida longa a Conexão Feminista!

Gostaríamos de agradecer a todas e todos que nos acompanham, formam nossa comunidade e de alguma forma contribuem para a continuidade da CF. Um obrigada especial a Claudia Senlle, Leo Melo e Dani Lima.

Arrogante

Por Helô Righetto

Ninguém é mais arrogante com as mulheres, mais agressivo ou desdenhoso, do que o homem ansioso com sua virilidade


ATUALIZAÇÃO: o homem sobre o qual me refiro nesse post discordou de tudo que falei aqui. Não gostou de ser chamado de esquerdomacho e parou de me acompanhar no Instagram. Disse que estava querendo apenas me passar sua opinião. Eu entendi tudo isso. Mas como já falei muitas vezes, se você dá sua opinião, você tem que entender que eu vou dar a minha também.

Como a maioria das pessoas que se expressou nas redes sociais a favor da campanha #EleNao no final de semana, eu recebi diversos ataques. Comentários e mensagens privadas de pessoas que se acham no direito de me xingar, se acham no direito de me calar, mas que não tem coragem de usarem seus próprios perfis para defenderem seus candidatos. Perdi mais de uma centena de seguidores no meu perfil pessoal do Instagram (uma bela limpa), mas apesar de todo esse ódio que explodiu, o que mais me afetou foi uma mensagem que recebi de um homem. Tal mensagem me fez identificar esse homem como um esquerdomacho.

Ele me falou que o problema não era eu falar sobre política, mas eu ser arrogante na minha fala. Arrogante… Ou seja, eu ser assertiva e não aceitar engolir desaforo, eu falar abertamente sobre o que penso de pessoas que se escondem na falsa promessa de combate a violência e a corrupção para validarem seus preconceitos, significa que sou arrogante. Segundo o esquerdomacho, feminismo é escolha, e as mulheres que escolhem votar no tal candidato não devem ser tratadas com arrogância por mim. Ora, ora… será que se eu tivesse usado filtro de coração, colocado emojis de risada e falado com uma voz dócil resolveria o problema? Eu me comportar fora dos padrões que são esperados de uma mulher – bela, recatada e do lar – faz de mim uma pessoa arrogante? Eu saber que a minha índole vale mais, que meus valores são concretos e que sei me defender e argumentar com fascistas faz de mim uma pessoa arrogante?

Então sou arrogante, caro esquerdomacho.

O mais interessante é que ele, querendo dizer que estava me dando uma dica, usou a tag #elenao pra finalizar a nossa conversa… Como se isso fizesse dele um homem a ser respeitado. Ou melhor, um homem que respeita a opinião de mulheres.

Escolhas podem ser criticadas sim, mesmo as de mulheres. Eu acho que tudo se discute, independente de gênero. Uma mulher escolher seu voto não significa que ela está livre de críticas. Aprenda um pouco com a gente, assiste essa conversa aqui:

A nossa vez

Por Helô Righetto

Acredito que a essa altura do campeonato vocês já estão sabendo do grupo no Facebook com mais de 1 milhão de mulheres que não irão votar no candidato inominável. Estou fascinada pelo grupo e confesso que há horas estou lendo as postagens, interagindo, deixando comentários e lendo o que essas mulheres tem a dizer.

Como a Aline Hack do Olhares Podcast mencionou no Twitter, esse grupo é a prova de que as mulheres não estão para brincadeira na Internet. Imagino que nem todas desse grupo de um milhão se considerem feministas ou muito menos de esquerda, mas me aquece o coração saber que não aceitamos alguém que não apenas não nos aceita como iguais mas também quer tirar os poucos direitos que temos, assim como os direitos da comunidade negra, LGBTQ e outros grupos oprimidos.



Há quem diga que estamos nos iludindo com a internet, que não há revolução feita por esse mundo digital. Eu digo que quem afirma isso não conhece o feminismo brasileiro. Não somos ingênuas. Somos politizadas, somos radicais. Usamos as ferramentas digitais sabendo de suas limitações e suas fragilidades, e sabemos também que nossos opressores estão lá. Não nos reduzam a avatares: somos corpos, somos pensantes, somos articuladas.

Somos 1 milhão contra o fascismo.