Três threads com recomendações feministas no Twitter

Por Helô Righetto

Quem tem acompanhado o Twitter nos últimos dias deve ter percebido que está rolando o meme ‘um like, um fato/curiosidade/sugestão sobre determinado tema’.

Eu resolvi entrar na brincadeira e propus indicar um livro feminista para cada like no tuite.



Achei que não daria muita audiência, talvez uns 5 ou 10 likes no máximo, mas como vocês podem ver acima, até o momento já são 145 likes. Então tive que extender o conteúdo da minha estante e busquei referências em nossos hangouts sobre o tema (aqui e aqui), referências bibliográficas na minha dissertação e também indicações já feitas pela Renata. Até agora fiz 76 indicações, e dificilmente chegarei a 155. Mas como sempre me perguntam sobre livros, um tema recorrente em todas as nossas redes, essa thread será minha referência!

Clicando no tweet acima, você consegue ver todas as indicações.

Acabei encontrando outras duas threads sensacionais: uma sobre mulheres na história e outra sobre filmes dirigidos por mulheres.





Pra você que tinha desanimado com o Twitter, vale a pena resgatar seu login e senha e ver essas dicas valiosas. E aproveita pra seguir a gente e essa mulherada usando a rede pra falar de feminismo e legado das mulheres.

E se você tem indicação de perfis bacanas para seguirmo por lá, deixa aí nos comentários. Estamos bem presentes no Twitter (apesar de, infelizmente, ser a rede onde recebemos mais abuso).

Nosso 2018

2018 foi definitivamente um ano intenso, pesado, e a impressão é que foi também apenas uma amostra da batalha que nos aguarda nos proximos anos. Mas pra gente também foi um ano de transformação: conquistas acadêmicas,  reconhecimento de colegas ativistas, açõs interessantes nas redes sociais e, estranhamente, uma tranquilidade que vem com a experiência de fazer ativismo já há alguns anos. Juntamos aqui alguns desses momentos mais marcantes, para sempre podermos olhar pra trás e sabermos como construimos nosso caminho.

Muito obrigada pela companhia nesse ano!

Financiamento coletivo

Começamos o ano na metade do nosso financiamento coletivo para o Intercâmbio Feminista. Janeiro foi praticamente inteiro dedicado a promover a campanha chegar na meta mínima, que era de R$9,000. Atingimos a meta antes do final da campanha e conseguimos bater a segunda meta, de R$12,000. Depois do fechamento do financiamento, começamos a nos preparar para o projeto, que tomou forma em julho (leia mais aqui).

Mês das mulheres

Em vez de celebrarmos o dia internacional da mulher no 8 de março, resolvemos celebrar o mês todo! Fizemos algo bem diferente no canal: convidamos colaboradoras e colocamos no ar um vídeo por dia, todos os dias de março. Cada colaboradora falou de algum tema de seu interesse (deixamos a escolha livre para elas). Os 31 vídeos (todos curtinhos) estão aqui.

Intercâmbio feminista

O Intercâmbio Feminista certamente foi a coisa mais incrível que a gente já fez nos nossos três anos de existência. A gente já sabia que conversar com ativistas feministas da Inglaterra seria de um aprendizado imenso, mas acabou superando todas as nossas expectativas. Em uma semana de muito calor em Londres, no mês de julho, rodamos a cidade com a mochila nas costas para conversar com 10 mulheres. Terminamos a semana exaustas (mentalmente e fisicamente) mas também anestesiadas de emoção. Todas as entrevistas estão disponíveis (a maior parte delas já está com legenda em português, terminaremos esse processo nos próximos meses).



Painel Chega de Fiu Fiu em Londres

O documentário Chega de Fiu Fiu foi exibido na embaixada do Brasil em Londres, e ao final da exibição a Helô mediou um painel com outras 3 participantes pra falar do impacto do filme e responder perguntas da audiência. Esse evento foi organizado pela Helô, que entrou em contato com a embaixada, conseguiu o filme com legenda e chamou as 3 panelistas! Foi muito bacana conhecer mulheres brasileiras e inglesas interessadas em falar sobre assédio.

Simpósio em Salamanca

Em julho, logo depois que rolou o Intercâmbio Feminista, a Renata participou de um Simpósio de ‘Gêneros, gerações e violências: Investigações sobre América Latina e Caribe’, que aconteceu na Universidade de Salamanca, na Espanha. Foi uma oportunidade de apresentar o projeto de pesquisa do mestrado dela, que pretende analisar o impacto das narrativas feministas da internet na cobertura da mídia tradicional dos casos de violência doméstica.

Derrubando argumentos anti-feministas

A ideia para essa nova série de vídeos veio de vocês: percebemos que muitas das perguntas que recebemos eram parecidas. Dúvidas genuínas sobre como responder a questionamentos anti-feministas. Os vídeos dessa série são curtos, e cada um responde um argumento anti feminista de forma didática e direto ao ponto. Essa série não tem data pra acabar e continuará em 2019. Até agora foram cinco vídeos, clique aqui para assistir.



Entrevistas com candidatas

Demos continuidade a série que começanmos em 2016, Conexão Política. Essa série consiste em entrevistas com mulheres candidatas a cargos políticos ou envolvidas com campanhas políticas. Em 2016 entrevistamos candidatas a vereadoras. Esse ano foram candidatas a deputadas (estadual  e federal). Falamos com nove candidatas e também com as idealizadoras da campanha Meu Voto Será Feminista. Foram conversas engrandecedoras pra gente, e também muito emocionantes. E o melhor: algumas dessas candidatas foram eleitas!



Hysteria

A Hysteria, como a Conexão Feminista, é uma plataforma de conteúdo digital feita por mulheres. A ideia é destacar produções culturais com uma lente feminista, e por isso a gente deu pulos de alegria quando elas entraram em contato propondo uma parceria. Agora, nossos bate papos em podcast ‘moram’ lá na Hysteria também. E por que isso é legal? Porque temos a possibilidade de atingir pessoas que não nos conheciam, ampliando assim nossa voz e nosso conhecimento.

#16diasdeativismo

Nossa última ação de 2018 foi cultural: durante os 16 dias de ativismo (entre 25/11 e 10/12) demos dicas feministas de filmes, livros, artistas e músicas. Cada uma dessas dicas foi postada na nossa página do Facebook. Acesse o álbum para ter acesso a todas elas.

Vocês não vão falar sobre isso?

Por Helô Righetto

Esse é um post desabafo.

Quando algum caso ‘grande’ (por exemplo, que envolve alguém famoso) de violência contra a mulher vem a tona na grande mídia, a gente sempre recebe mesnsagens perguntando se vamos falar sobre o assunto. Agora, com o caso do médium João de Deus, não foi diferente. Algumas pessoas me procuraram nas redes sociais querendo saber se eu iria me pronunciar. Teve gente que simplesmente escreveu mensagem assim: fale sobre o João de Deus!

Minha primeira reação é: falar o que? O que eu preciso falar além de tudo que já está sendo mostrado na mídia?

Porém, pensando melhor (que é uma coisa que a gente exercita muito aqui na Conexão Feminista, refletir bastante antes de falar pra ter certeza de que temos algo pra acrescentar), nós falamos sobre isso o tempo inteiro. Falamos sobre violência contra a mulher, sobre como machismo cotidiano tem a ver com cultura do estupro e como é preciso falar sobre isso pra aprendermos a reconhecer violência e opressão.

Estamos sempre gritando, tentando ser ouvidas, usando todos os meios possíveis para conscientizar, compartilhar e educar. E a verdade é que muitas vezes a sensação é de que estamos gritando para as paredes. Ninguém quer ouvir. Ninguém tem tempo, ninguém tem paciência. ‘Ah, lá vem a estraga prazeres falar que é machismo’. Sim, sabemos da importância do nosso trabalho e sabemos que ele atinge muita gente. Mas essa cobrança é dolorida.

Isso sem contar na carga emocional de lidar com essas notícias. Não é porque somos ativistas que estamos imunes a emoções. Também sentimos tristeza, frustração e desespero quando ficamos sabendo de casos como esse. É aquela sensação de que nada vai mudar, de saber que tanto sofrimento acontece nesse momento e que estamos apenas vendo a ponta do iceberg.

Outra coisa interessante é que falta o reconhecimento do trabalho das ativistas feministas quando abusadores são desmascarados na grande mídia. Ninguém para pra pensar que, se não fosse o nosso trabalho de falar falar falar, ninguém se interessaria por isso. Que há uma razão pela qual a grande mídia está dissecando essa história e a razão é que nós, ativistas, estamos conseguindo mobilizar e chamar a atenção das pessoas para a violência contra a mulher. Pode ser a grande mídia mostrando, mas o trabalho de formiga é nosso.

Se prestassem mais atenção no que fazemos diariamente, essa cobrança não existiria. Nós falamos dos Joãos de Deus o tempo todo. Falamos do perigo de uma sociedade patriarcal e do poder nas mãos dos homens velhos, brancos, ricos. Falamos que só os homens tem o privilégio de terem sua vida pessoa separada de seu trabalho. Falamos de como é tóxico tratar outras culturas, religiões e tradições como instituições que precisam ser salvas enquanto as nossas são irretocáveis.

O tempo todo falamos de João de Deus. Nos escutem.

3 anos

Por Helô Righetto

No dia 25 de novembro, o Dia Internacional Pela Eliminação da Violência Contra Mulheres e Meninas, nós completamos 3 anos de vida. É pura coinciência de datas, no dia que fomos ao ar pela primeira vez, 25/11/2015, não sabíamos da existência desse dia. Esse foi apenas um dos incontáveis aprendizados nesses 3 anos.

Quando a gente foi pro ar pra falar de feminismo ao vivo, a gente não sabia muito no que ia dar. Queríamos apenas conversar, a cada duas semanas, e tínhamos até medo de não termos assunto suficiente. Hoje, nos falta é tempo pra falar de tudo que queremos.

Continuamos a ser um canal no Youtube, mas não nos definimos mais assim. A Conexão Feminista é uma plataforma digital que engloba canal, podcast, redes sociais e, é claro, esse site, onde podemos também publicar nossos textos. Tentamos utilizar todas essas ferramentas de forma a engrandecermos essa comunidade que a CF criou nos últimos 3 anos. Entendemos que não podemos simplesmente falar, falar, falar e ficar por isso mesmo. Nossas falas geram conversa, interação, engajamento – conexões (desculpem-me o trocadilho). A gente não tinha ideia de que nossa Conexão Feminista faria, de fato, fazer valer seu nome.

Em números, somos ‘pequenas’. Mas nos sentimos grandiosas. Nem sempre dispostas, muitas vezes cansadas, mas constantemente reavaliando nossa maneira de fazer ativismo digital.

Esse último ano foi, particularmente, um ano de conquistas. Fechamos a meta do nosso financiamento coletivo e colocamos o Intercâmbio Feminista em prática. Fizemos uma ação especial no mês das mulheres, com um vídeo por dia no canal. Alcançamos a marca de mais de mil ‘plays’ em alguns episódios dos podcasts. Colocamos esse site no ar. Falamos com candidatas a Deputadas Estadual e Federal, dando continuidade a série ‘Conexão Política‘.

Não foi um ano fácil para o ativismo feminista, talvez só uma amostra do que vem por aí. Mas uma certeza ninguém tira da gente: continuaremos aqui.

Parabéns e vida longa a Conexão Feminista!

Gostaríamos de agradecer a todas e todos que nos acompanham, formam nossa comunidade e de alguma forma contribuem para a continuidade da CF. Um obrigada especial a Claudia Senlle, Leo Melo e Dani Lima.

Arrogante

Por Helô Righetto

Ninguém é mais arrogante com as mulheres, mais agressivo ou desdenhoso, do que o homem ansioso com sua virilidade


ATUALIZAÇÃO: o homem sobre o qual me refiro nesse post discordou de tudo que falei aqui. Não gostou de ser chamado de esquerdomacho e parou de me acompanhar no Instagram. Disse que estava querendo apenas me passar sua opinião. Eu entendi tudo isso. Mas como já falei muitas vezes, se você dá sua opinião, você tem que entender que eu vou dar a minha também.

Como a maioria das pessoas que se expressou nas redes sociais a favor da campanha #EleNao no final de semana, eu recebi diversos ataques. Comentários e mensagens privadas de pessoas que se acham no direito de me xingar, se acham no direito de me calar, mas que não tem coragem de usarem seus próprios perfis para defenderem seus candidatos. Perdi mais de uma centena de seguidores no meu perfil pessoal do Instagram (uma bela limpa), mas apesar de todo esse ódio que explodiu, o que mais me afetou foi uma mensagem que recebi de um homem. Tal mensagem me fez identificar esse homem como um esquerdomacho.

Ele me falou que o problema não era eu falar sobre política, mas eu ser arrogante na minha fala. Arrogante… Ou seja, eu ser assertiva e não aceitar engolir desaforo, eu falar abertamente sobre o que penso de pessoas que se escondem na falsa promessa de combate a violência e a corrupção para validarem seus preconceitos, significa que sou arrogante. Segundo o esquerdomacho, feminismo é escolha, e as mulheres que escolhem votar no tal candidato não devem ser tratadas com arrogância por mim. Ora, ora… será que se eu tivesse usado filtro de coração, colocado emojis de risada e falado com uma voz dócil resolveria o problema? Eu me comportar fora dos padrões que são esperados de uma mulher – bela, recatada e do lar – faz de mim uma pessoa arrogante? Eu saber que a minha índole vale mais, que meus valores são concretos e que sei me defender e argumentar com fascistas faz de mim uma pessoa arrogante?

Então sou arrogante, caro esquerdomacho.

O mais interessante é que ele, querendo dizer que estava me dando uma dica, usou a tag #elenao pra finalizar a nossa conversa… Como se isso fizesse dele um homem a ser respeitado. Ou melhor, um homem que respeita a opinião de mulheres.

Escolhas podem ser criticadas sim, mesmo as de mulheres. Eu acho que tudo se discute, independente de gênero. Uma mulher escolher seu voto não significa que ela está livre de críticas. Aprenda um pouco com a gente, assiste essa conversa aqui:

A nossa vez

Por Helô Righetto

Acredito que a essa altura do campeonato vocês já estão sabendo do grupo no Facebook com mais de 1 milhão de mulheres que não irão votar no candidato inominável. Estou fascinada pelo grupo e confesso que há horas estou lendo as postagens, interagindo, deixando comentários e lendo o que essas mulheres tem a dizer.

Como a Aline Hack do Olhares Podcast mencionou no Twitter, esse grupo é a prova de que as mulheres não estão para brincadeira na Internet. Imagino que nem todas desse grupo de um milhão se considerem feministas ou muito menos de esquerda, mas me aquece o coração saber que não aceitamos alguém que não apenas não nos aceita como iguais mas também quer tirar os poucos direitos que temos, assim como os direitos da comunidade negra, LGBTQ e outros grupos oprimidos.



Há quem diga que estamos nos iludindo com a internet, que não há revolução feita por esse mundo digital. Eu digo que quem afirma isso não conhece o feminismo brasileiro. Não somos ingênuas. Somos politizadas, somos radicais. Usamos as ferramentas digitais sabendo de suas limitações e suas fragilidades, e sabemos também que nossos opressores estão lá. Não nos reduzam a avatares: somos corpos, somos pensantes, somos articuladas.

Somos 1 milhão contra o fascismo.