Arrogante

Por Helô Righetto

Ninguém é mais arrogante com as mulheres, mais agressivo ou desdenhoso, do que o homem ansioso com sua virilidade


ATUALIZAÇÃO: o homem sobre o qual me refiro nesse post discordou de tudo que falei aqui. Não gostou de ser chamado de esquerdomacho e parou de me acompanhar no Instagram. Disse que estava querendo apenas me passar sua opinião. Eu entendi tudo isso. Mas como já falei muitas vezes, se você dá sua opinião, você tem que entender que eu vou dar a minha também.

Como a maioria das pessoas que se expressou nas redes sociais a favor da campanha #EleNao no final de semana, eu recebi diversos ataques. Comentários e mensagens privadas de pessoas que se acham no direito de me xingar, se acham no direito de me calar, mas que não tem coragem de usarem seus próprios perfis para defenderem seus candidatos. Perdi mais de uma centena de seguidores no meu perfil pessoal do Instagram (uma bela limpa), mas apesar de todo esse ódio que explodiu, o que mais me afetou foi uma mensagem que recebi de um homem. Tal mensagem me fez identificar esse homem como um esquerdomacho.

Ele me falou que o problema não era eu falar sobre política, mas eu ser arrogante na minha fala. Arrogante… Ou seja, eu ser assertiva e não aceitar engolir desaforo, eu falar abertamente sobre o que penso de pessoas que se escondem na falsa promessa de combate a violência e a corrupção para validarem seus preconceitos, significa que sou arrogante. Segundo o esquerdomacho, feminismo é escolha, e as mulheres que escolhem votar no tal candidato não devem ser tratadas com arrogância por mim. Ora, ora… será que se eu tivesse usado filtro de coração, colocado emojis de risada e falado com uma voz dócil resolveria o problema? Eu me comportar fora dos padrões que são esperados de uma mulher – bela, recatada e do lar – faz de mim uma pessoa arrogante? Eu saber que a minha índole vale mais, que meus valores são concretos e que sei me defender e argumentar com fascistas faz de mim uma pessoa arrogante?

Então sou arrogante, caro esquerdomacho.

O mais interessante é que ele, querendo dizer que estava me dando uma dica, usou a tag #elenao pra finalizar a nossa conversa… Como se isso fizesse dele um homem a ser respeitado. Ou melhor, um homem que respeita a opinião de mulheres.

Escolhas podem ser criticadas sim, mesmo as de mulheres. Eu acho que tudo se discute, independente de gênero. Uma mulher escolher seu voto não significa que ela está livre de críticas. Aprenda um pouco com a gente, assiste essa conversa aqui: