Livro feminista: Lean Out, Dawn Foster

Por Helô Righetto

Há alguns anos, o livro Lean In da Sheryl Sandberg estourou nas livrarias, e se tornou meio que uma ‘bíblia’ para tantas mulheres, já que tratava do assunto carreira de uma maneira que nenhum outro livro até então havia tratado. Mulheres no mundo corporativo, que sentiam-se nadando contra a maré nesse mundo tão masculino e tão pouco disposto a tornar-se menos opressivo, encontraram uma espécie de conforto nas palavras de Sandberg. Afinal, quem melhor do que uma mulher no topo da pirâmide corporativa e com uma vida familiar tão bem resolvida (o livro foi escrito e publicado antes da morte do marido dela) para falar para outras mulheres que sim, é possível ‘ter tudo’??

Claro que há mérito nas palavras de Sheryl. Eu acho que a partir do momento que tantas mulheres se sentem acalentadas, a gente precisa reconhecer que alguma coisa estava mesmo errada. Mas será que, ao seguirem o conselho de Sheryl Sandberg e tentarem se adaptar ao mundo corporativo e tomarem conta dela – ou seja, ‘lean in’- é possível mesmo fazer esse mundinho mudar?

Aqui na Conexão Feminista a gente acha que não. A gente não acredita em entrar nesse mundo e mudá-lo ‘por dentro’: uma vez no poder, vamos mesmo abrir mão dele para beneficiar outras pessoas oprimidas? A nossa resposta, mais uma vez, é não. E por isso que eu (Helô) gostei tanto do livro ‘Lean Out’, que é um manifesto/resposta para o Lean In. A Dawn Foster desembrulha esse feminismo decoradinho para o patriarcado, que usa palavras bonitas como ‘empoderamento’ e ‘representatividade’ para tentar nos convencer de que nossas necessidades individuais, quanto atendidas, nos fazem mais fortes.

O fato é que feminismo não é sobre necessidades individuais. É sobre equidade, sobre libertação, sobre coletividade, sobre interseccionalidade. Fazia tempo que um livro feminista não me animava tanto – estava bastante cansada de ler livros que mais parecem relatórios da ONU mastigados para mulheres ativistas que já estão nessa bolha.

Lean Out é sobre feminismo de verdade, feminismo radical, feminismo inclusivo. Sobre não pedir por favor para o patriarcado para nos deixar brincar. É sobre reconstruir e saber quem ter ao seu lado (e não abaixo de você).

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