#elenão e Hannah Arendt

Por Renata Senlle

Em tempos de #elenão, não canso de pensar como é que pode nossa sociedade permitir que discursos homofóbicos, racistas, machistas, portanto, criminosos, tenham tanto espaço e audiência. Não canso de pensar como é que a gente faz para se envolver mais com política e impedir ou resistir a isso. Como tornar esse tema mais atraente? No nosso canal no YouTube, a playlist Conexão Política é a que tem menos views. Estamos conversando com um tanto de mulheres incríveis que estão se candidatando nessas eleições. Mas existe uma rejeição ao tema, que inclusive impede que a gente junte forças para ir contra esses movimentos retrógrados e a favor de um mundo mais feminista.

E esse assunto me lembrou de uma mulher incrível que se dedicou a pensar as origens de regimes totalitários. A filósofa política judia, Hannah Arendt, viveu a primeira e segunda guerras mundiais e questionou “como foi possível o totalitarismo”, essa experiência do horror? Como nós podemos nos reconciliar com esse mundo? Hannah foi uma filósofa que se dedicou a pensar o mundo; o mundo da ‘vida ativa’. Para ela não dá pra abrir mão de estar no mundo e se responsabilizar politicamente. Para ela, somos mais humanos quando agimos politicamente. Para Arendt, a pluralidade é fundamental na política.

Penso nela e penso na política que nós, mulheres feministas, podemos fazer, e é o que ajuda a manter a energia em tempos estranhos.

PS: Para conhecer mais a obra de Hannah Arendt, indico o curso ‘Nas Fronteiras do Pensamento: Hannah e Butler‘ com a professora Crislei de Oliveira Custódio. A primeira aula foi semana passada e motivou esse post. Tem transmissão ao vivo e gratuita.

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