Quatro livros de maternidade

Por Renata Senlle

Nesse dia das mães, sugiro três livros que tratam de maternidade:

O recém-lançado “Gestar, Parir, Amar: não é só começar” da Tayná Leite é um relato auto-biográfico, com referências de fatos jornalísticos e acadêmicos sem perder a leveza. Um livro que, ao mesmo tempo, desconstrói a romantização da gestação e da maternagem, sem deixar de dar luz para o lado potente e doce de ter filhos. Prepare-se para uma leitura verdadeira que coloca em xeque as opressões tão naturalizadas do que é ser mãe. Ela ajuda a nos libertar para uma maternagem mais leve.

A conhecida ilustradora Thaiz Leão já virou referência em traduzir os perrengues da vida de mãe solo com as tirinhas da HQ ‘Chora Lombar’. Agora, ela lança o ‘Exército de uma Mãe Só’. Mais uma edição literalmente desenhada pra aprofundar as agruras das mulheres que criam seus filhos sozinhas, naquela versão real oficial que a gente nunca sabe se ri ou se chora!

Também temos o recém-lançado livro de Manuela D’ávila, chamado Revolução Laura. Ela traz relatos como páginas de diários, em que reflete a respeito de suas experiências como mãe e candidata à vice-presidência. Sem querer ela mostra que ser a maternidade muito invisível em certos espaços. A política é um deles. Manuela fala disso de perceber que a sociedade ainda se choca com uma mulher mãe nesses lugares e acaba por escancarar a necessidade de a gente pensar em política a partir do olhar de mães e crianças.

* Imagem, daqui!

Livro feminista: Rage Becomes Her, Soraya Chemaly

Por Helô Righetto

Fiquei sabendo desse livro pela Laura Bates (criadora da campanha Everyday Sexism) e gostei tanto do título que comprei na hora, estava ainda na pré venda. Desde que aprendi no mestrado sobre ‘emoções fora da lei’ tenho me interessado cada vez mais no tema ‘emoções feministas’ (eu e a Renata já falamos sobre isso, aqui em vídeo e aqui em podcast), mais especificamente na raiva. Raiva é uma emoção geralmente usada contra nós, já perceberam? ‘Ai não dá pra conversar com você assim, sempre falando com raiva’, ‘acho legal teu ativismo mas você poderia se acalmar, está sempre tão raivosa!’.

Não vou me extender sobre o tema (até porque o livro é uma bíblia nesse assunto), só quero destacar o quanto essa leitura é incrível. A Soraya Chemaly consegue conectar as principais questões feministas pela raiva, e o melhor, faz de forma inclusiva e interseccional. Ela nunca fala de mulheres como uma entidade homogênea, sempre nos mostrando o viés de mulheres negras, trans, indígenas, imigrantes… eu não me lembro de nenhum outro livro que tenha feito isso de forma tão ampla como esse (sem contar é claro os livros focados no tema de feminismo negro e interseccional).

Não é um livro acadêmico, apesar de ter muitas referências, principalmente a pesquisas e estudos. Ou seja, muitos fatos que nos ajudam a combater mitos machistas – é um livro pra ter na estante, pra voltar sempre nele e buscar respostas para nós mesmas e para combater argumentos infundados. Infelizmente o livro não está disponível em português, vamos torcer para alguma editora prestar atenção nele e comprar os direitos de tradução.

Rage Becomes Her se tornou um dos meus livros feministas preferidos: atual, acessível, amplo e ao mesmo tempo consegue conectar problemas ‘isolados’ ao mal maior, a misoginia e patriarcado. E o melhor, nos mostrando que nossa raiva não apenas pode, mas deve ser o motor do nosso ativismo.