Maternidade compulsória #01: ‘mas quem vai cuidar de você na velhice?’

Por Helô Righetto

Quem acompanha nosso trabalho na Conexão Feminista sabe que maternidade é um tema constante nas nossas plataformas. Temos inclusive uma playlist no canal dedicada ao tema. Mas a gente não acha que maternidade é só sobre ter filhos. Pode parecer estranho, mas é sobre não tê-los também. Nossa sociedade reverencia a maternidade e julga que a mulher só cumpre seu papel quando vira mãe. Porém, a mesma sociedade vira as costas para mães, as excluindo de lugares públicos e instituições: política, trabalho, lazer. Tratamos as mães como meros ‘espaços’ a serem preenchidos por bebês: no momento que anunciam a gravidez, são ‘anuladas’ e tornam-se propriedade pública. São invisibilizadas, diminuídas e desrespeitadas.

Às mulheres que decidem por não ter filhos, são destinadas as perguntas e comentários bizarros. Os olhares tortos, o interesse desconcertante e desrespeitoso em nossas relações – com parceiros/parceiras, pais, mães, sobrinhos – como se algo estivesse errado. Como se nossas vidas não tivessem sentido. Afinal o que farão essas mulheres já que não se ocuparão de crianças?

Essa nova série de textos – esse é o primeiro de muitos! – é baseada na experiência de 30 mulheres que toparam nos contar as coisas absurdas que já escutaram simplesmente porque não desejam ter filhos. Fizemos uma compilação de frases – o que deu origem a nuvem de palavras que ilustra esse texto – e as que mais se repetiram foram escolhidas para serem rebatidas aqui. O título ‘maternidade compulsória’ foi escolhido pois representa a construção social e a romantização da maternidade. Por ser algo entendido como obrigatório na vida de mulher, quando não é realizada acaba gerando o estranhamento já falado anteriormente. Pode parecer estranho a gente usar a palavra maternidade em uma série de textos que justamente fala sobre não ter filhos. Mas como falei no primeiro parágrafo, maternidade é algo holístico – ser ou não mãe e saber que seu corpo é político com ou sem filhos, é essencial para que a gente se entenda como coletivo.

Feita a introdução da série, vamos ao comentário absurdo mais comum já ouvido pelas mulheres que não desejam ser mães: mas quem vai cuidar de você na velhice?

Essa frase foi escolhida como a primeira a ser dissecada porque foi a mais comum entre todas as participantes. A preocupação com o nosso futuro pode até ser bem intencionada, mas revela que a sociedade enxerga os filhos como propriedade dos pais, colocando nas costas deles uma pressão imensa mesmo antes de nascerem. É justo a gente exigir que filhos cuidem dos pais, principalmente nessa sociedade capitalista onde a maioria das pessoas trabalha pra sobreviver? Será que essa visão de ter filhos para garantir uma velhice supervisionada não está romantizada? Uma visão bastante privilegiada, pois você assume que, se seus filhos não puderem cuidar de você, pagarão alguém para fazê-lo. E dá pra garantir esse alívio financeiro? E se seus filhos tiverem seus próprios filhos pra cuidar? Essa é uma visão também capacitista: se o filho não puder fisicamente ou mentalmente cuidar de seus pais, quer dizer que colocá-lo no mundo não valeu a pena?

E quem garante a boa relação entre pais e filhos? De novo, essa visão romantizada da maternidade perfeita, da família perfeita.

Uma pessoa que não tem filhos não é necessariamente uma pessoa solitária. É possível ter uma velhice feliz e saudável, com ou sem filhos. Mais estranho do que perguntar para uma mulher quem vai cuidar dela na velhice é achar que toda pessoa precisa de cuidados o tempo todo (olha o etarismo aí, gente!!!). Pessoas velhas não são pessoas inválidas, e muitas tem os melhores anos de sua vida justamente porque os filhos são independentes.

Boas relações familiares não são necessariamente baseadas em cuidado intenso. E cuidado não precisa (nem deve) ser algo exclusivo dos familiares.

Coletivo 32

Começamos 2019 muito bem: fazendo parte do Coletivo 32!

O Coletivo 32, como o nome diz, é um coletivo de 32 canais do Youtube com uma coisa em comum: as ciências humanas. Foi idealizado pela Lully (do canal Lully de verdade), e está sendo preparado há meses por todos os integrantes. Como vocês podem imaginar, não foi simples tomar decisões em um grupo grande como esse. Mas mais por questão de tempo do que por questão de desentendimento.



Mas enfim, o que importa é que estamos no ar! Lançamos hoje um vídeo com nosso manifesto, e a ideia é que a gente se ajude, de maneiras que ainda estamos descobrindo: a gente acredita no poder do coletivo, que é o que importa no momento! Talvez a Conexão Feminista não consiga participar de todos os projetos, mas é muito legal saber que estamos de mãos dadas com produtores de conteúdo bacanérrimos, como a Jana Viscardi, a Emy Lobo e as Garotas Geeks.

Convido vocês a conhecerem todos os canais que fazem parte do Coletivo 32 (a lista completa está na descrição do vídeo abaixo). Tenho certeza de que vai ter coisa que você vai gostar: história, cinema, linguagem, literatura… é de humanas? Então faz parte do Coletivo!



Manifesto:



Eu acredito na educação. Eu quero visibilidade para as ciências humanas. Eu quero mudar o mundo através da comunicação.

A internet transforma. O YouTube pode ser instrumento de empoderamento, educação, cultura, crescimento, evolução. Este é um grupo que acredita em uma sociedade melhor, mais humana, mais responsável, mais integrada.

Somos youtubers que não buscamos simplesmente likes ou inscritos. Nosso objetivo é alcançar pessoas que, como nós, querem expandir e aprofundar seu olhar sobre o mundo, reconhecendo a pluralidade de ideias que circulam por aí. Não fazemos isso pela fama ou pela grana, mas pela possibilidade de transformação – a minha, a sua, a nossa.

Somos uma união de canais educativos de ciências humanas, comunicação e arte. Somos o Coletivo 32

Três threads com recomendações feministas no Twitter

Por Helô Righetto

Quem tem acompanhado o Twitter nos últimos dias deve ter percebido que está rolando o meme ‘um like, um fato/curiosidade/sugestão sobre determinado tema’.

Eu resolvi entrar na brincadeira e propus indicar um livro feminista para cada like no tuite.



Achei que não daria muita audiência, talvez uns 5 ou 10 likes no máximo, mas como vocês podem ver acima, até o momento já são 145 likes. Então tive que extender o conteúdo da minha estante e busquei referências em nossos hangouts sobre o tema (aqui e aqui), referências bibliográficas na minha dissertação e também indicações já feitas pela Renata. Até agora fiz 76 indicações, e dificilmente chegarei a 155. Mas como sempre me perguntam sobre livros, um tema recorrente em todas as nossas redes, essa thread será minha referência!

Clicando no tweet acima, você consegue ver todas as indicações.

Acabei encontrando outras duas threads sensacionais: uma sobre mulheres na história e outra sobre filmes dirigidos por mulheres.





Pra você que tinha desanimado com o Twitter, vale a pena resgatar seu login e senha e ver essas dicas valiosas. E aproveita pra seguir a gente e essa mulherada usando a rede pra falar de feminismo e legado das mulheres.

E se você tem indicação de perfis bacanas para seguirmo por lá, deixa aí nos comentários. Estamos bem presentes no Twitter (apesar de, infelizmente, ser a rede onde recebemos mais abuso).

Livro feminista: Mental Load (A Feminist Comic), Emma

Por Helô Righetto

Ando viciada em histórias em quadrinhos feministas. Depois que li Persépolis, comprei vários outros, e acho que esse é um caminho sem volta! O mais recente é esse, ‘Mental Load’ (Carga Emocional) da francesa Emma. Os quadrinhos dela já fizeram sucesso no Facebook (traduzidos pro português) mas esse livro traz diversas outras histórias.

Emma literalmente desenha e facilita o entendimento de coisas como xenofobia, islamofobia, violência do Estado x violência do oprimido e também dedica uma parte para falar sobre o clitoris. Ou seja, é um livro feminista de corpo e alma!

Li a edição traduzida para o inglês em um dia. Taí outra vantagem das histórias em quadrinhos: a leitura vai muito rápido.

Sabe quando você vai lendo e concordando com tudo? Instagramei algumas passagens (a parte que fala de carga emocional, que dá nome ao livro, e que você pode ler aqui) e tive que me segurar para não fotografar e postar tudo. Recomendo demais para quem tem acesso a livros em inglês (ou francês, que é o original).

Caso você queira saber mais sobre carga emocional, temos um bate papo sobre esse tema no canal:

Nosso 2018

2018 foi definitivamente um ano intenso, pesado, e a impressão é que foi também apenas uma amostra da batalha que nos aguarda nos proximos anos. Mas pra gente também foi um ano de transformação: conquistas acadêmicas,  reconhecimento de colegas ativistas, açõs interessantes nas redes sociais e, estranhamente, uma tranquilidade que vem com a experiência de fazer ativismo já há alguns anos. Juntamos aqui alguns desses momentos mais marcantes, para sempre podermos olhar pra trás e sabermos como construimos nosso caminho.

Muito obrigada pela companhia nesse ano!

Financiamento coletivo

Começamos o ano na metade do nosso financiamento coletivo para o Intercâmbio Feminista. Janeiro foi praticamente inteiro dedicado a promover a campanha chegar na meta mínima, que era de R$9,000. Atingimos a meta antes do final da campanha e conseguimos bater a segunda meta, de R$12,000. Depois do fechamento do financiamento, começamos a nos preparar para o projeto, que tomou forma em julho (leia mais aqui).

Mês das mulheres

Em vez de celebrarmos o dia internacional da mulher no 8 de março, resolvemos celebrar o mês todo! Fizemos algo bem diferente no canal: convidamos colaboradoras e colocamos no ar um vídeo por dia, todos os dias de março. Cada colaboradora falou de algum tema de seu interesse (deixamos a escolha livre para elas). Os 31 vídeos (todos curtinhos) estão aqui.

Intercâmbio feminista

O Intercâmbio Feminista certamente foi a coisa mais incrível que a gente já fez nos nossos três anos de existência. A gente já sabia que conversar com ativistas feministas da Inglaterra seria de um aprendizado imenso, mas acabou superando todas as nossas expectativas. Em uma semana de muito calor em Londres, no mês de julho, rodamos a cidade com a mochila nas costas para conversar com 10 mulheres. Terminamos a semana exaustas (mentalmente e fisicamente) mas também anestesiadas de emoção. Todas as entrevistas estão disponíveis (a maior parte delas já está com legenda em português, terminaremos esse processo nos próximos meses).



Painel Chega de Fiu Fiu em Londres

O documentário Chega de Fiu Fiu foi exibido na embaixada do Brasil em Londres, e ao final da exibição a Helô mediou um painel com outras 3 participantes pra falar do impacto do filme e responder perguntas da audiência. Esse evento foi organizado pela Helô, que entrou em contato com a embaixada, conseguiu o filme com legenda e chamou as 3 panelistas! Foi muito bacana conhecer mulheres brasileiras e inglesas interessadas em falar sobre assédio.

Simpósio em Salamanca

Em julho, logo depois que rolou o Intercâmbio Feminista, a Renata participou de um Simpósio de ‘Gêneros, gerações e violências: Investigações sobre América Latina e Caribe’, que aconteceu na Universidade de Salamanca, na Espanha. Foi uma oportunidade de apresentar o projeto de pesquisa do mestrado dela, que pretende analisar o impacto das narrativas feministas da internet na cobertura da mídia tradicional dos casos de violência doméstica.

Derrubando argumentos anti-feministas

A ideia para essa nova série de vídeos veio de vocês: percebemos que muitas das perguntas que recebemos eram parecidas. Dúvidas genuínas sobre como responder a questionamentos anti-feministas. Os vídeos dessa série são curtos, e cada um responde um argumento anti feminista de forma didática e direto ao ponto. Essa série não tem data pra acabar e continuará em 2019. Até agora foram cinco vídeos, clique aqui para assistir.



Entrevistas com candidatas

Demos continuidade a série que começanmos em 2016, Conexão Política. Essa série consiste em entrevistas com mulheres candidatas a cargos políticos ou envolvidas com campanhas políticas. Em 2016 entrevistamos candidatas a vereadoras. Esse ano foram candidatas a deputadas (estadual  e federal). Falamos com nove candidatas e também com as idealizadoras da campanha Meu Voto Será Feminista. Foram conversas engrandecedoras pra gente, e também muito emocionantes. E o melhor: algumas dessas candidatas foram eleitas!



Hysteria

A Hysteria, como a Conexão Feminista, é uma plataforma de conteúdo digital feita por mulheres. A ideia é destacar produções culturais com uma lente feminista, e por isso a gente deu pulos de alegria quando elas entraram em contato propondo uma parceria. Agora, nossos bate papos em podcast ‘moram’ lá na Hysteria também. E por que isso é legal? Porque temos a possibilidade de atingir pessoas que não nos conheciam, ampliando assim nossa voz e nosso conhecimento.

#16diasdeativismo

Nossa última ação de 2018 foi cultural: durante os 16 dias de ativismo (entre 25/11 e 10/12) demos dicas feministas de filmes, livros, artistas e músicas. Cada uma dessas dicas foi postada na nossa página do Facebook. Acesse o álbum para ter acesso a todas elas.

Vocês não vão falar sobre isso?

Por Helô Righetto

Esse é um post desabafo.

Quando algum caso ‘grande’ (por exemplo, que envolve alguém famoso) de violência contra a mulher vem a tona na grande mídia, a gente sempre recebe mesnsagens perguntando se vamos falar sobre o assunto. Agora, com o caso do médium João de Deus, não foi diferente. Algumas pessoas me procuraram nas redes sociais querendo saber se eu iria me pronunciar. Teve gente que simplesmente escreveu mensagem assim: fale sobre o João de Deus!

Minha primeira reação é: falar o que? O que eu preciso falar além de tudo que já está sendo mostrado na mídia?

Porém, pensando melhor (que é uma coisa que a gente exercita muito aqui na Conexão Feminista, refletir bastante antes de falar pra ter certeza de que temos algo pra acrescentar), nós falamos sobre isso o tempo inteiro. Falamos sobre violência contra a mulher, sobre como machismo cotidiano tem a ver com cultura do estupro e como é preciso falar sobre isso pra aprendermos a reconhecer violência e opressão.

Estamos sempre gritando, tentando ser ouvidas, usando todos os meios possíveis para conscientizar, compartilhar e educar. E a verdade é que muitas vezes a sensação é de que estamos gritando para as paredes. Ninguém quer ouvir. Ninguém tem tempo, ninguém tem paciência. ‘Ah, lá vem a estraga prazeres falar que é machismo’. Sim, sabemos da importância do nosso trabalho e sabemos que ele atinge muita gente. Mas essa cobrança é dolorida.

Isso sem contar na carga emocional de lidar com essas notícias. Não é porque somos ativistas que estamos imunes a emoções. Também sentimos tristeza, frustração e desespero quando ficamos sabendo de casos como esse. É aquela sensação de que nada vai mudar, de saber que tanto sofrimento acontece nesse momento e que estamos apenas vendo a ponta do iceberg.

Outra coisa interessante é que falta o reconhecimento do trabalho das ativistas feministas quando abusadores são desmascarados na grande mídia. Ninguém para pra pensar que, se não fosse o nosso trabalho de falar falar falar, ninguém se interessaria por isso. Que há uma razão pela qual a grande mídia está dissecando essa história e a razão é que nós, ativistas, estamos conseguindo mobilizar e chamar a atenção das pessoas para a violência contra a mulher. Pode ser a grande mídia mostrando, mas o trabalho de formiga é nosso.

Se prestassem mais atenção no que fazemos diariamente, essa cobrança não existiria. Nós falamos dos Joãos de Deus o tempo todo. Falamos do perigo de uma sociedade patriarcal e do poder nas mãos dos homens velhos, brancos, ricos. Falamos que só os homens tem o privilégio de terem sua vida pessoa separada de seu trabalho. Falamos de como é tóxico tratar outras culturas, religiões e tradições como instituições que precisam ser salvas enquanto as nossas são irretocáveis.

O tempo todo falamos de João de Deus. Nos escutem.

Guia de presentes natalinos feministas

O que não falta nessa época do ano são listas imensas de sugestões de presentes. A gente resolveu fazer a nossa também, mas é claro com uma pegada feminista. Tudo que está listado aqui é produzido por mulheres e tem aquele ‘plus’ de resistência que não dá pra encontrar em qualquer lugar. Se for pra ser consumista no Natal, que a gente então dê apoio para mulheres artesãs e que fazem produtos que falam alguma coisa, não é mesmo?

1. Puta Peita

É bem possível que você já conheça a Puta Peita, afinal a marca ganhou uma garota propaganda de peso esse ano: a candidata a vice presidência do Brasil, Manuela D’ávila. Sabe a camiseta ‘Lute como uma garota’ que ela estava sempre usando? Pois é, é da Puta Peita!
 
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2. Paula e Ponto

Bordado sempre foi visto como uma atividade feminina, e, por causa disso, nunca respeitado como trabalho. Pois nos últimos anos as mulheres reivindicaram o bordado como trabalho remunerado e produzindo peças incríveis Brasil afora. A Paula é uma dessas mulheres, e faz diversos bordados bacanas, divertidos e personalizados.
 
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3. Conspiração Libertina

Adesivos, tatuagens temporárias, bordados termocolantes, camisetas, ímãs de geladeira… a Conspiração Libertina tem uma coleção enorme de produtos com temática feminista. Somos fãs das tatuagens temporárias, em particular!
 
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4. Ema Livros

A Ema Livros é uma editora feminista, de livros sobre mulheres, para mulheres e escritos por mulheres. Pacote completo! A maior parte do catálogo é dedicada a maternidade, com títulos sobre gravidez, amamentação e criação de crianças.
 
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5.Passeatta

A Passeatta é de Portugal, então talvez essa dica seja mais voltada para a turma que mora na Europa. Ainda assim, vale a pena conhecer! Elas faz camisetas personalizadas com uma pegada política. Existe uma coleção, mas você pode mandar fazer a sua, do jeito que quiser!
 
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6. Revista Empodere

Não deixem as revistas morrerem, principalmente revistas feministas como a Empodere! Feita por mulheres e que divide os lucros entre as colaboradoras. Não é incrível? Em tempos de jornalismo decadente, a Empodere nos traz uma luz feminista no fim do túnel patriarcal.
 
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7.Siriguela Criativa

Adesivos, canecas, ímãs… um monte de peças legais do dia a dia mas que já dão aquele recado feminista. E se você é vegana, vai gostar mais ainda, pois a loja também abraça essa causa maravilhosa!
 
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8. Trama Livre

A loja, de autoria de uma feminista, subverte o imaginário geral de que pano de prato é coisa de vó. Ela escancara verdades pelos panos de prato. Uma opção de lembrancinha feminista que dá vontade de enquadrar.


9. Amma

Uma forma de passar o ano ao lado de mulheres incríveis é o calendário de parede “Mulheres nas Artes – pintoras e desenhistas”, elaborado por Angélica Kalil (texto) e Amma (ilustrações).
 
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10. Schopf Papier

Elena Ferrante tem mais que fãs: tem um culto de leitoras fervorosas! Então pra quem não consegue largar os livros dela, fica a dica da ecobag #FerranteFever. Ótimo presente para as leitoras vorazes!
 
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11. The Feminist Tea

Apreciadoras de chá, essa é pra vocês! Sabia que existe um chá feminista? Pois é, as criadoras, além de homenagear grandes mulheres e terem uma cadeia de produção sustentável, dão também apoio para projetos que dão assistência mulheres em situação vulnerável. É possível fazer uma assinatura mensal ou comprar os chás individualmente.

Simone de Beauvoir e a mobilidade ativa

Por Renata Senlle

Minha descoberta recente de que Simone de Beauvoir era adepta da mobilidade ativa* encheu meu coração de alegria! Foi como encontrar mais um ponto de identificação com ela, além do feminismo. Tenho pra mim que essa é uma prática de prazer que as mulheres podem dar a si próprias. Prazer. Há tempos, desde que adotei a bicicleta como meio principal, mas também sendo adepta de caminhar à pé pela cidade e de correr (mais por esporte e lazer, é verdade), que encaro esses momentos como oxigênio puro, que me colocam de volta em mim mesma.

[PAUSA para uma breve análise interseccional de que sei que sou uma mulher branca, classe média, moradora de uma região em que há mais ciclovias, iluminação, circulação de pessoas, ou seja de uma segurança pública menos pior. Não vou entrar no mérito da segurança das mulheres nas ruas nesse texto. Posso entrar em outro. Sei que ela existe, mas aqui quero falar dos benefícios à saúde física e mental. Também não vou falar da prática de acordo com raça e classe, que estão um pouco implícitas na abertura desse paragrafo – muito embora concorde e enfatize que essas intersecções mudam dramaticamente a experiência de cada uma de nós de acordo com esses recortes].

Mas voltando à Simone, na “dupla biografia” Simone de Beauvoir e Jean Paul Sartre – Tête-a-Tête, escrita por Hazel Rowley, há uma passagem a respeito da importância da caminhada na vida dela, aos 23 anos de idade: “Nas horas vagas dava grandes caminhadas. Em suas memórias descreve isso como comportamento obsessivo. “Se eu tivesse desistido de uma caminhada sequer, por indiferença ou para satisfazer um mero capricho, se eu tivesse alguma vez me perguntado o porquê daquilo tudo, eu teria destruído todo o edifício cuidadosamente elaborado”. Os passeios exaustivos protegiam-na “do tédio, do arrependimento e dos vários tipos de depressão”. Às quintas-feiras e aos domingos, sempre que não precisava dar aulas, saía de casa de madrugada com um vestido velho e alpargatas de lona, com um Guide Bleau e um mapa Michelan na mochila, e caminhava até 40 quilômetros por dia. E quando Sartre foi para a segunda guerra, ela escreveu que “caminharia sem parar, do contrário, seu coração explodiria”. Ele dizia que ela comia o mundo com seus pés e eu simplesmente adorei essa expressão.

Minha experiência pessoal com a prática da mobilidade ativa (como meio de transporte, mas também como pratica esportiva/lazer) é a de que me encontro comigo mesma toda vez. Vai muito além de praticar exercícios para fins estéticos. É prática pelo prazer da prática. É um momento em que estou comigo fazendo alguma coisa apenas para mim e por mim. Isso e fones de ouvido com música e eis que o mundo é meu. E descobri em Pierre Bordieu, no livro A Dominação Masculina – A condição feminina e a violência simbólica, a melhor definição do que vivo: “…a prática intensiva de um determinado esporte determina nas mulheres uma profunda transformação da experiência subjetiva e objetiva do corpo: deixando de existir apenas para o outro ou, o que dá no mesmo, para o espelho (instrumento que permite não só se ver, mas também experimentar ver como é vista e se fazer ver como deseja ser vista), isto é, deixando de ser apenas uma coisa feita para ser olhada, ou que é preciso olhar visando a prepará-la para ser vista, ela se converte de corpo-para-o-outro em corpo-para-si-mesma, de corpo passivo e agido em corpo ativo e agente.

Sem mais para o momento: inspire-se e saia por aí. Recomendo!

*PS: Mobilidade Ativa também é conhecida como mobilidade suave ou mobilidade não-motorizada é uma forma de ir e vir que faz uso unicamente de meios físicos do ser humano para a locomoção. Os meios de transporte ativos mais amplamente usados são andar a pé e de bicicleta. Todavia outros meios menos frequentes com propulsão humana como por exemplo, qualquer velocípede não-motorizado, patins, skate ou trotinetas, também se enquadram dentro da mobilidade ativa.

Foto: do livro: Simone de Beauvoir e Jean Paul Sartre – Tête-a-Tête, escrita por Hazel Rowley.

3 anos

Por Helô Righetto

No dia 25 de novembro, o Dia Internacional Pela Eliminação da Violência Contra Mulheres e Meninas, nós completamos 3 anos de vida. É pura coinciência de datas, no dia que fomos ao ar pela primeira vez, 25/11/2015, não sabíamos da existência desse dia. Esse foi apenas um dos incontáveis aprendizados nesses 3 anos.

Quando a gente foi pro ar pra falar de feminismo ao vivo, a gente não sabia muito no que ia dar. Queríamos apenas conversar, a cada duas semanas, e tínhamos até medo de não termos assunto suficiente. Hoje, nos falta é tempo pra falar de tudo que queremos.

Continuamos a ser um canal no Youtube, mas não nos definimos mais assim. A Conexão Feminista é uma plataforma digital que engloba canal, podcast, redes sociais e, é claro, esse site, onde podemos também publicar nossos textos. Tentamos utilizar todas essas ferramentas de forma a engrandecermos essa comunidade que a CF criou nos últimos 3 anos. Entendemos que não podemos simplesmente falar, falar, falar e ficar por isso mesmo. Nossas falas geram conversa, interação, engajamento – conexões (desculpem-me o trocadilho). A gente não tinha ideia de que nossa Conexão Feminista faria, de fato, fazer valer seu nome.

Em números, somos ‘pequenas’. Mas nos sentimos grandiosas. Nem sempre dispostas, muitas vezes cansadas, mas constantemente reavaliando nossa maneira de fazer ativismo digital.

Esse último ano foi, particularmente, um ano de conquistas. Fechamos a meta do nosso financiamento coletivo e colocamos o Intercâmbio Feminista em prática. Fizemos uma ação especial no mês das mulheres, com um vídeo por dia no canal. Alcançamos a marca de mais de mil ‘plays’ em alguns episódios dos podcasts. Colocamos esse site no ar. Falamos com candidatas a Deputadas Estadual e Federal, dando continuidade a série ‘Conexão Política‘.

Não foi um ano fácil para o ativismo feminista, talvez só uma amostra do que vem por aí. Mas uma certeza ninguém tira da gente: continuaremos aqui.

Parabéns e vida longa a Conexão Feminista!

Gostaríamos de agradecer a todas e todos que nos acompanham, formam nossa comunidade e de alguma forma contribuem para a continuidade da CF. Um obrigada especial a Claudia Senlle, Leo Melo e Dani Lima.

Livro Feminista: It’s Only Blood (Shattering the taboo of menstruation), Anna Dahlqvist

Por Helô Righetto

Desde que eu e a Renata falamos sobre menstruação no canal, meu interesse por ativismo menstrual só cresceu. Li o livro Periods Gone Public (excelente), entrevistamos a fundadora do projeto Bloody Good Period em Londres e terminei mais uma leitura: It’s Only Blood (É apenas sangue) da sueca Anna Dahlqvist.

O livro é muito bom. A autora visita alguns países (como Índia, Nigéria, Uganda) para ver de perto como é a vida das meninas quando elas menstruam. Ela fala sobre vergonha, sobre absorventes (ou falta de), sobre banheiros, lixo, praticamente todos os aspectos que mulheres privilegiadas nunca perceberam que podem atrapalhar mulheres que não tem acesso aos mesmos privilégios quando estão menstruadas.

O único problema do livro é que parece uma grande reportagem de jornal, a narrativa é bem jornalística (ok, sei que isso não é ruim), o que não é o estilo de livro que mais gosto. Outra questão, mas que a autora acaba solucionando bem (já explico o porquê), é a visão de Norte Global: uma mulher sueca visitando países do Sul Global para apontar os problemas. E como ela resolve isso? Ela fala com as mulheres desses países, não apenas as que enfrentam problemas mas as que estão ajudando a resolver. Mulheres líderes de campanhas e instituições que colocam o ativismo menstrual como assunto central na vida de meninas.

Para quem está buscando mais e mais informações sobre menstruação com lentes feministas, vale a leitura! Li em inglês.